Se me dissessem que a noite tem a força e tirar todas as máscaras dos seres humanos, eu acreditaria plenamente.
As máscaras caem e os olhos embriagados mal conseguem focar o que está em volta, deixando o tato, o olfato e o paladar aguçados.
O cheiro dos corpos misturado com o perfume artificial faz com que imagens e cores apareçam em uma projeção psicodélica diante aos olhos debilitados.
A pele se arrepia ao sopro e à respiração. Os dedos procuram uma textura diferente por baixo da roupa. Trocam a temperatura até chegarem ao equilíbrio. A projeção começa a tomar uma forma tridimensional.
Quando as mãos já não conseguem satisfazer o desejo – reprimido durante o dia – os lábios se procuram até que os hálitos resultem em um único sabor e em uma sincronia, língua e saliva fazem os corpos se aproximarem e embalarem em um único ritmo.
O tecido da roupa incomoda, arranha a pele e, simultaneamente, é jogado ao chão, à parede, ao ar e como fossem cegos, os corpos procuram acompanhar tal ritmo, sem música.
Dois se fundem em uma só massa, não se reconhece mãos e pernas.
Neste instante, o mundo parece surdo e apenas sussurros e gemidos entoam em uma partitura musical.
O tempo da viagem da lua ao céu é o suficiente para essa dança. E a chegada do amanhecer faz os ombros se afastarem, as pernas se descruzarem, os rostos se distanciarem e o sol apontando no céu faz com que o único toque de dedos se desfaça e, assim, os dois corpos dormem – afastados – como se nada tivesse acontecido.
E a noite... Simples projeção psicodélica misturada em sonhos.
28/11/08
11/11/08
Valentina
O que fazer quando se percebe que o limite que tanto você lutou para estipular, desaparece diante aos seus olhos? E o pior, quando você percebe que você mesmo ultrapassou esse limite? E o pior ainda, que você ultrapassou SOZINHA?
Pois então, recém separada de um relacionamento estável e confortável de dois anos, Valentina se sentia pronta para encarar uma nova fase de farra e beijos descompromissados que há tempos não praticava. Tinha acabado de chegar numa cidade a milhas da família e de pessoas que poderiam apontar no meio da rua assim que soubessem de algo que Vália teria feito que só coubesse a ela saber.
Sempre muito sociável, em pouco tempo Vália manteve uma ótima roda de amigos. Descobriu que a cerveja tem o seu sabor agradável, largando de vez os destilados misturados com outra coisa – como se fosse uma forma de amenizar o pecado – e bebendo-os apenas quando a cerveja estava ausente ou quando o porre tinha o nome de algum infeliz.
Dos poucos infelizes que conheceu naquela cidade... Tá, na verdade foi apenas um infeliz que conheceu.
Pois então, recém separada de um relacionamento estável e confortável de dois anos, Valentina se sentia pronta para encarar uma nova fase de farra e beijos descompromissados que há tempos não praticava. Tinha acabado de chegar numa cidade a milhas da família e de pessoas que poderiam apontar no meio da rua assim que soubessem de algo que Vália teria feito que só coubesse a ela saber.
Sempre muito sociável, em pouco tempo Vália manteve uma ótima roda de amigos. Descobriu que a cerveja tem o seu sabor agradável, largando de vez os destilados misturados com outra coisa – como se fosse uma forma de amenizar o pecado – e bebendo-os apenas quando a cerveja estava ausente ou quando o porre tinha o nome de algum infeliz.
Dos poucos infelizes que conheceu naquela cidade... Tá, na verdade foi apenas um infeliz que conheceu.
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